Thursday, September 21, 2017

Trilha sonora italiana - Jovanotti



Jovanotti é o nome artístico de Lorenzo Cherubini. Roma, 27 de setembro de 1966.

Cantor, compositor e disc jockey, começou a carreira como rapper, mas logo começou a explorar outros ritmos. A qualidade dos textos acompanhou a evolução e logo angariou uma legião fiel de fãs.  Apesar das letras cada vez mais engajadas, social e politicamente, são as canções românticas a fazerem mais sucesso. Pacifista ativo, colabora frequentemente com organizações de inclusão social, ambientalistas, pacifistas e de ajuda humanitária.

Casado e pai de Teresa Lucia, a quem dedicou a canção “A Te”, Jovanotti é o terceiro de quatro irmãos. Umberto, o irmão mais velho, era instrutor de vôo e faleceu em um acidente aéreo. A canção “In orbita” foi dedicado e ele e, depois de sua morte, Jovanotti compôs a homenagem póstuma “Fango”.

Ouço com uma ponta de desilusão as canções de Jovanotti. Talvez por serexigente, talvez por ter sido habituado a textos mais profundos, fico esperando que ele dê algo mais, que me surpreenda. No fundo, quero gostar dele como gosto daqueles que me viciaram em textos mais elaborados. Felizmente meu gosto pessoal e minha crítica rabugenta não chega a interferir na programação das rádios, nem impede a Jovanotti de continuar fazendo sucesso. E eu acabo ouvindo.

Site oficial: Sole e Luna


A Te

In orbita

Fango

Bella

Baciami ancora

La notte dei desideri

Quando sarai lontana

Gente della notte

Il più grande spettaculo dopo il Big Bang

Friday, September 08, 2017

Guia no Hawaí


Quinta meta mundial do turismo em 2015, a Itália recebeu mais de cinquenta milhões de turistas estrangeiros. Só para dar uma ideia do potencial turístico deste pequeno país, o Brasil recebeu em 2016 – ano dos Jogos Olímpicos – pouco menos de sete milhões de visitantes. Apesar disso, o turismo de casamento – wedding tourism italiano (entre outros segmentos), perde feio para o Hawai. Sim, o Hawai é muito mais que surf. E não só no verão: para um havaiano, 26 graus é um calor terrível e 24 graus é frio glacial. Primavera de doze meses.

Tudo isso para dizer que se você gosta de viajar, certamente o Hawai é uma das suas metas. E aqui vem a boa notícia: há algum tempo a  brasileiríssima Lucia Malla organiza viagens ao Hawai. O que há melhor que visitar um país com alguém que mora na região e a conhece bem? Não, a especialidade dela não é casamento, ela está mais para mergulho, passeios e surf, mas organiza a sua viagem com muita competência (até para casamentos, se esse for o seu caso). A Lucia é uma bióloga pesquisadora que vive em Honolulu e adora viagens, fotografia e eventuras. Muito simpática e inteligente, decidiu investir no que gosta. Mas talvez seja melhor deixar ela mesma explicar os objetivos e os porquês dessa empreitada:

“A empresa Zero CO Tours nasceu da necessidade de compartilhar ao vivo o sentimento havaiano de aloha, com qualidade e respeito ambiental. Queremos mostrar que fazer um tour ecoconsciente respeitando o meio ambiente é bem mais fácil que você imagina, sem recorrer a perrengues nem privações desnecessárias.

O nome da empresa é um trocadilho com “Zero CO2” dito em inglês, que é (ou deveria ser) o objetivo de todos nós: minimizar ao máximo nossas emissões de gás carbônico (CO2), principal causa das mudanças climáticas.  O CO2 é derivado principalmente da queima de combustíveis fósseis para geração de energia e produção de artigos de consumo da nossa vida em sociedade. “Zero CO2” diz respeito à meta de minimizar ao máximo as emissões adicionais, diretas ou indiretas, não provenientes da nossa própria respiração. ZERO de emissão de CO2: esse é o verdadeiro luxo de um passeio atualmente.




Na liderança da Zero CO Tours estou eu, LUCIA MALLA, bióloga, PhD em Biologia Molecular, e há 10 anos editora do blog Uma Malla pelo mundo. No blog, compartilho minhas viagens e reflexões sobre o mundo que nos cerca – principalmente o pedaço de mundo onde vivo e pelo qual sou apaixonada, o Havaí.
Achei meu lugar no planeta quando pisei no Havaí pela primeira vez, em 2002. E desde então, cada dia mais me apaixono pela cultura das ilhas, pelo jeito relax cheio de sorrisos e aloha das pessoas. Adoro principalmente a importância que dão ao mar e ao ambiente.

10 anos de blog instigaram o início dessa nova empreitada, para compartilhar esta paixão pelo Havaí com mais brasileiros (ou falantes de português) ao vivo e a cores – e em muitos tons de azul… Foi daí que nasceram os TOURS RECEPTIVOS COM A LUCIA MALLA. Quem sabe depois do passeio você também não sai apaixonado(a) por estas ilhas incríveis, levand0 para casa um pouco do espírito de aloha havaiano?

Acoplada a essa intenção, também me preocupo muito com os rumos ambientais do planeta, principalmente com as mudanças climáticas. Foi esta preocupação que ditou e ainda dita muito das minhas escolhas ecoconscientes no dia-a-dia – mas sem perder o bom senso. Valorizo o efeito formiguinha: nossas pequenas ações “verdes” do dia-a-dia podem – e devem! – colaborar para um planeta mais sustentável e bacana.
Por isso, quando decidi oferecer tours pelo Havaí, privilegiar o compartilhamento de escolhas ecoconscientes virou meta. Sendo os tours com a Lucia Malla, eles não poderiam ser de outra forma: sustentáveis, priorizando a qualidade ambiental na experiência das pessoas.

PASSEAR PELO HAVAÍ COM QUEM É REFERÊNCIA NO ASSUNTO E COM O MÍNIMO POSSÍVEL DE IMPACTO AO MEIO AMBIENTE: VAMOS LÁ?”

Se você ficou interessado e já começa a sonhar com o Havaí, deixo uma sugestão MUITO IMPORTANTE: Organize e reserve com o máximo de antecedência a sua viagem. Não de semanas, mas de meses. Europeus e norteamericanos costumam programar férias muito, mas muito antes que nós, brasileiros. O risco é não encontrar vaga naquele hotel luxuoso/charmoso/baratinho que você imaginou. Se você, por exemplo, estiver planejando ir no período das altas ondas para os campeonatos de surf – de novembro a janeiro – saiba que terá que se contentar, pois os melhores locais já estão reservados.

Portanto, não espere. Entre em contato com a Lucia Malla e…
…Aloha!

Contatos: 
Blog Pessoal: Uma Malla pelo mundo
Zero CO Tours: Zero CO Tours
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Fontes:
Turismo Brasil
Turismo Itália

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Tuesday, August 29, 2017

Bettola - provícia de Piacenza e berço de Colombo




A pequena cidade de Bettola, nas Colinas Piacentinas, conta com pouco mais de três mil habitantes e está a 329 metros acima do nível do mar. O clima não chega a ser como nos Alpes, mas a geografia do lugar e o rigoroso inverno obriga a comunidade a considerar Bettola como sendo uma localidade de montanha.


Na praça principal, dedicada a Colombo, encontra-se uma estátua do navegador e o motivo da homenagem é bem específico: os bettolenses consideram Colombo um cidadão da localidade. Tal fato gera não pouca polêmica com Gênova, a cidade tida como berço do descobridor. O próprio Colombo não ajudou a esclarecer suas raízes, tendo deixado poucos documentos e nenhum que indique o local de nascimento. Quando mudou-se para a Espanha, Cristoforo Colombo tornou-se espanhol para todos os efeitos, chegando mesmo a mudar o nome para Cristobal Colòn. Apesar de a sua origem mais acreditada ser a cidade lígure de Gênova, é quase certo que a família do navegador fosse realmente de Bettola, mais precisamente de Pradello, um distrito da cidade, onde existe uma torre medieval que desde sempre é chamada Torre dos Colombo, onde muitos garantem ter nascido o grande descobridor.


Polêmicas à parte, Bettola é uma cidade agradável e de boa comida. “Pisarei e fasò”, “anolini in brodo” e “salame cotto” são alguns dos pratos típicos da região, assim como o vinho Gutturnio, um tinto frisante muito apreciado por aqui. Cortada ao meio pelo riacho Nure, oferece um clima fresco durante o verão abafado da província. Típico borgo agrícola, a cidade é circundada por vinhedos, campos e árvores de castanhas, nozes e alguns raros exemplares de carvalho de cortiça.



Desenvolvido em meados do século V, Bettola era local de descanso na rota comercial entre Piacenza e Gênova. Por volta do ano 1000, o monastério piacentino de San Savino possuía diversas terras e fortalezas na zona, pela posição estratégica de conexão entre a montanha e a planície. O nome da cidade significa “osteria”, local de descanso e etapa aos que subiam ou desciam o vale do Nure. No início do século XX Bettola era um importante centro de trocas para todo o vale, com uma grande feira de animais às segundas-feiras, na praça principal (que nasceu ampla justamente para abrigar a feira).


Um hábito difuso nos restaurantes e trattorias locais é oferecer uma merenda no final da tarde, em substituição ao jantar. Nesse caso, os sabores predominantes se concentram nos produtos locais, como os queijos, a ricotta e os embutidos (salames, coppa, pancetta) acompanhados da típica “bortellina” ou “torta fritta”, um tipo de massa para pastel frita em banha de porco. Se a merenda for acompanhada por um copo de Gutturnio ou do Ortrugo produzidos na região, não há como não sentir-se bettolense.






 http://www.comune.bettola.pc.it





Thursday, July 27, 2017

Passageiro Gracia - parte final




Garcia partiu ontem às quatro da tarde.

Dormiu para não mais acordar. Não sofreu, já tinha sofrido antes. Nos últimos dias foi piorando cada vez mais e decidimos não prolongar a sua dor. Foi a decisão mais difícil e dolorosa para nós.

Anteontem à noite, depois da janta, dividiu uma cerveja com a Eloá, hábito criado a uns dez dias. Quando cheguei o encontrei no sofá deles, com a cabeça apoiada no ombro dela (apertada no canto do enorme sofá). Nem se mexeu, só os olhos me seguiam atentamente, apesar de roncar alto. Muito mais tarde dormimos, eu e ele, abraçados no sofá deles. Acordou às três da madrugada para um xixi longo como um rio, no balcão dos fundos. Em seguida, me mandou dormir no sofá pequeno.

Acordamos às sete. Um novo passeio até o balcão, remédios, um pouco da comida que preparo para ele (batata, cenoura e verduras cozidas até desmanchar, misturado com frango cozido sem pele e sem gordura, desfiado). E é nesse momento que ele sempre deixou claro o quanto um pitbull pode ser feroz com a comida. Novo passeio ao balcão, uma coleção completa de beijinhos e a mordidinha de sempre no meu nariz. Cochilo.

Uma hora depois, fomos ao Jardim da Memória, na rua de casa. Como tenho feito no último ano, levo ele no colo, desço um andar de escada (mais fácil que pegar o elevador, acreditem), Entramos no carro, dirijo por cem metros, estaciono, pego no colo e procuro fazêlo caminhar um pouco. Cheira alguns pontos do jardim, faz xixi e cocê (mas nem sempre, às vezes prefere fazer na garagem, quando voltamos) e tenta dar alguns passos. Se esforça mais na presença de outros cães. Tem dificuldade para permanecer em pé, mesmo com a minha ajuda. Um gole d'água da sua garrafa, talvez acreditando ser um humano ele também. Deita esperando que eu colha um punhado de grama, que ele devora como se fosse uma cabra. Vinte minutos depois, quer voltar para casa. Colo, carro, escada...

Em casa, espero que ele se adormente e saio para alguns afazeres urgentes. Volto ao meio-dia e ofereço comida a ele, que cheira e vira a cara. Assombro. Lembro dos primeiros dias logo após a adoção, quando estava tão triste que parecia decidido a deixar de viver. Pego aquela gororoba cremosa e grudenta com as mãos e aproximo dele. Come tudo até lustrar minhas mãos. Aproveito para comer também (a minha comida, não a dele) e saímos para outra voltinha. Primeiro de carro, que ele tanto gosta, depois, no jardim. Somos só nos dois e o cheiro de xixi - que só ele sente - dos seus muitos amigos. Ficamos ali até às três e meia. É um lindo dia de sol, temperatura agradável, uma brisa constante e as cigarras que cantam para nós. De alguma janela ali perto, toca repetidamente "Somewere Over The Rainbow" na voz doce de Iz. Ele ronca, eu choro enquanto o acaricio. Voltamos para casa e ele se vai.

Foram quase três anos intensos e maravilhosos.
Ele nos fez conhecer gente boa e especial. Cuidamos dele esperando fazer o melhor possível. Em troca, recebemos um amor imenso como não imaginávamos. E mais: fez um monte de amigos (menos o Mojito - doce Mojito - vai saber porque); suportou as minhas mordidas sem se lamentar e sem me machucar. Ou quase. Destruiu todas as bolinhas de tênis que encontrou; nadou no Trebbia; enriqueceu o dono da farmácia; destruiu o armário da cozinha, as latas de lixo, o banheiro, a prateleira do pet shop, quando o proprietário o fez experimentar um daqueles colares elisabetanos afirmando "esse ele não destrói!" Destruiu tudo, inclusive o colar, com a velocidade de fórmula 1. Destruiu, também, um monte, mas um monte de corações.

Estamos tristes pela sua partida. Ao mesmo tempo, felizes por ter dividido com ele seus últimos anos de vida. Garcia nos ensinou muito e nos amamos além do limite. Era, acima de tudo, um amigo. Fazia parte da família e nós compúnhamos a sua matilha. No fundo tínhamos esperança... E no entanto, nos deixou uma última lição: cães não conhecem a esperança, um sentimento que nos tira o fôlego e deixa suspensa a vida. Não, cães vivem um dia de cada vez, aproveitam o que podem. cães vivem e basta.

Sentiremos muito a sua falta.
Tchau Amorzão.
Tchau Amigo.
Tchau Garcia.

R.I.P.
31.1.2003
26.7.2017
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Mais sobre Garcia:





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